Nunca fiz algum texto sobre crítica de filme em blogs antes. Primeiro porque nunca tive um blog decente com assuntos relevantes. E segundo, porque esses comentários de filmes são realmente coisas pessoais. O que eu vi, interpretei e gostei de um jeito, o que outros veem, interpretam e gostam de outro, ou nem gostam.
Mas enfim, falemos agora de um filme que vai dar o que falar. “Lula, o filho do Brasil”
Em primeiro lugar deixo aqui bem claro que nunca gostei deste senhor. Nunca compartilhei seus pensamentos, nunca apoiei sua política, odeio seu partido e não votaria nele nem pra representante de rua. Mas, é nosso Presida, temos que torcer por algo de bom que ele faça [nem que isso seja apenas a facilidade que tenho em imitá-lo]
Independente de tudo, não podemos negar que este cidadão tem uma baita história de vida.
Desde que o trailer desse filme foi divulgado, era impossível não ver a reação das platéias nos cinemas [sejam reações favoráveis ou não]. E acabei ficando curioso pra ver essa história, principalmente depois de ver uma entrevista com o Presida, uns dias depois do Natal ano passado. Então, nesta sexta, fui com a patroa ao cinematógrafo ver a nova obra prima do cinema tupiniquim. Não vou questionar aqui o fato de servir como marketing político, campanha antecipada nem nada disso [apesar de ser bem curioso o filme só ter sido feito e lançado justo agora, ano de eleição...]
Como todo filme brasileiro, tem miséria, seca, alguns palavrões, um futebolzinho, fusca, 280 logos de “apoio”… Tá tudo lá na tela.
O problema [e objetivo] do filme é mostrar o Lula como um herói nacional, o cara que saiu da seca pra conquistar as massas.
E porque isso seria um problema? É que tudo no filme teima em acontecer só pra mostrar os principais fatos da vida dele. A mudança pra Santos, o Senai, primeiros movimentos sindicalistas, casamento, viuvez, enfim. Mas, como é apenas um filme, algumas coisas parecem que nem tem tanta ligação umas com as outras como realmente aconteceu, e acabam aparecendo por aparecer.
O filme não é ruim [e olha que sempre tive pé atrás com filme nacional]. Glória Pires, ótima atriz, como mãe do presida, convence bem. Tem também uma participação do Milhem Cortaz [o 02 de Tropa de Elite e que mostra mais uma vez que ele é o melhor ator no quesito baba voando e cuspe a distância] numa participação especial como pai do Lula. Participação bem pequena mesmo pra um personagem que, apesar de ausente na vida real, não foi tããão ausente assim na real [pelo que eu vi na entrevista].
Pra dar mais realismo, o filme tem algumas cenas reais da época das greves misturadas às cenas gravadas. Mas o melhor é ver o ator principal forçando a voz pra ficar igual a do Lula [conforme o filme passa da pra perceber melhor a mudança na voz, mesmo que as vezes o sotaque nordestino fique um pouco sumido]. E essa imitação de voz vai sempre parecer mais caricatura do que realismo.
Outro fato interessante é, bem no comecinho do filme, aparece uma mensagem dizendo que este filme foi feito sem nenhum centavo de dinheiro público, apenas com investidores particulares. E nessa hora surgem os 280 logos das empresas que colaboraram para o filme. Dentre eles, aparecem umas 40 empreiteiras… Curioso, não?…
Gostem ou odeiem o presida, emocionem-se ou deem de ombros pra história dele, não podemos discordar de um coisa: vão dar um jeitinho de encaixar esse filme pra concorrer ao Oscar. E do jeito que o barbudo anda com sorte… não duvido de mais nada! [se bem que em breve será lançado um filme com o Morgam Freemam, sobre Nelson Mandela. Esse sim deve ganhar Oscar. E pra gente, o de filme estrangeiro, anotem aí!]
7 07UTC fevereiro 07UTC 2010 às 17:14 |
Ferrr, adorei a sua crítica cinematográfica. Gostei de você ter conseguido falar relativamente bem do filme, apesar de não gostar do Lula em si e muito menos de seu partido. Não sou petista (definiria-me como centrista), mas admiro bastante o trabalho do tio Luiz Inácio na presidência.
Ainda não assisti este filme, e nem sei se assistirei, mas, de fato, muita coincidência ter 40 empreiteiras como apoiadoras do filme. Considerando que este ano é de eleição presidencial e considerando que o Lula, embora não seja candidato, permanece ocupando este posto, entendo como nada correta a publicação deste filme nesta época tão delicada. Afinal, facilidades em procedimentos licitatórios, o que é o de menos na história, todos querem…