Ah, o verão.
O final de ano é realmente uma época que alegra muito os corações das pessoas.
Tudo começa quando as emissoras de TV programam a “Maratona de Natal” exibindo os clássicos de sempre como “Esqueceram de mim 1 e 2” [me recuso a considerar o 3 e o 4 como filmes da série!!!]; “Férias Frustradas de Natal”; “Meu Papai é Noel”; “O Natal Maluco de Ernest” e alguns clássicos mais recentes, como “O Grinch”; “Um Herói de Brinquedo” entre outros. Some a isso algum filme/especial da Xuxa e do Renato Aragão.
Todos esses filmes [com exceção das produções nacionais] tem muita neve. O que definitivamente não nos inspira em nada, já que moramos em um país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza. mas que beleza!
O fim do ano, mais do que o espírito de Natal, mostra o quanto o ser humano pode ser incompreensível.
Passamos o ano inteiro reclamando de tudo o que nos cerca. Desde o pesadelo da locomoção nas grandes cidades, até aquele filho pentelho da vizinha que insiste em cantar músicas do High School Musical no último volume.
Então, passando o Natal, a grande maioria dos brasileiros escolhe um lugar bem tranqüilo pra passar os últimos dias do ano, e recarregar as baterias para o ano que se inicia: o litoral.
Não importa em que Estado da Federação você se encontra, o que acontece é mais ou menos o seguinte:
Na noite da véspera você vai dormir um pouco mais tarde, lá pelas 2h30. Isso porque sua mulher esta “adiantando” o trabalho de fazer as malas enquanto você tenta assistir a alguma porcaria na TV já que sua cama esta coberta com 5 camadas de roupas [todas dela] e 3 bermudas suas num cantinho quase jogado no chão.
Pela manhã você acorda bem cedinho, que é pra dar tempo de arrumar tudo dentro do carro e aproveitar o máximo possível o que a vida tem para lhe dar. Então, você, como chefe da casa, faz sua mulher acordar às 7h da manhã, empurrar os bacurizinhos de suas camas e aprontar as malas deles [que já deveriam estar prontas na noite anterior].
Por volta do meio dia, você termina de carregar tudo no carro. E é bom que o carro seja grande, porque mesmo que você vá passar uma semana só na praia, você levará material suficiente para sobreviver durante 4 meses em uma expedição no Ártico, em plena Era Glacial.
Carro carregado e com a suspensão devidamente arrastando em cima dos pneus, é hora de alojar todos dentro do carro. No banco da frente vai você, nobre motorista, sua esposa e o filho mais novo. No banco de trás vão as outras 3 crianças, sua sogra, sua cunhada, e seu sobrinho, que vão indo antes já que seu cunhado vai trabalhar até o dia 31 ao meio dia.
Como se o problema da lotação não fosse suficiente, você pega um engarrafamento de 5 horas pra fazer o caminho que levaria, normalmente, no máximo, 1 hora. E as 5 horas não são nem um pouco tranqüilas.
Lembre-se que você foi dormir depois das 2 da manhã, acordou às 7, zarpou ao meio dia e esta bem no meio do sol do verão. Seus filhos vão reclamar do calor, sua sogra vai reclamar do aperto no banco, e sua cunhada vai fofocando com sua esposa o caminho inteiro. Música? Sim. Mas só aquelas que os seus filhos gostam. Afinal, ou você coloca o cd deles ou vai passar 5 horas ouvindo mais reclamação ainda.
Estamos indo bem até agora, passando pelo pedágio, que a cada ano fica mais caro. Não que a distancia tenha aumentado, ou que o fluxo de carros por ali tenha diminuído. Alias, ainda não entendo como a cada ano que passa tem mais carros indo pro mesmo lugar.
Pulemos essa parte da viagem e vamos chegar ao apartamento.
Ah.. o apartamento…
Apartamento é apelido simpático do kitnet onde você, sua mulher e os demais membros da expedição vão passar bem juntinhos esse período de calor e férias.
As crianças gritam, o ventilador não refresca, sua sogra só reclama e sua mulher só atrapalha sua visão da TV. Isso que é férias!
E tem a praia… ah a praia…
Primeiro que você, como homem e chefe de família, deve carregar todas as 38 cadeiras, guarda sol, sacolas, malas, bancos, espelhos, esteiras, e demais materiais que fariam um soldado acampar confortavelmente por 1 mês na Amazônia. Enquanto isso, seus filhos carregam apenas uma bola e sua mulher uma canga e o chapéu.
Chegando vivo na praia, você tem que caçar um pequeno espaço [que nessa época dificilmente supera a marca dos 50 cm²], montar o guarda sol, espalhar todas as 38 cadeiras de forma que elas caibam todas dentro do espaço da sombra, espalhar protetor solar de forma a você ficar mais branco que o Michael Jackson em fim de carreira, agüentar seus filhos rolando feito bifes na areia, agüentar o filho dos outros correndo e jogando areia em você enquanto você tenta, por fim, tirar um cochilo que vai te deixar com a marca do óculos de sol [apesar dos 2 litros de protetor que você espalhou na cara].
E na noite de ano novo, aquela muvuca espalhada entre areia-calçada-rua. Milhares de velas e flores pra Iemanjá, bêbados esbarrando em você a cada 3 passos e sua carteira sendo roubada…
Não sei até hoje porque raios as pessoas gostam disso. Mas enfim, eu também gosto…
São as férias na praia. Ame-as, ou deixe-as!
Agora, fui!